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CaRoL
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metade por dentro
metade por fora
partida ao meio
me descubro inteira...
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A nota baixa
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Meu texto vale -2. Pois é gente ele vale tudo isso ou seria nada disso?! Não sei. Sei que na minha opinião (se é que ela conta) ele nem tava tão ruim assim. Era pequenininho, meio deprê, acho que faltava um pedaço, e como disse o professor eu tinha escapado pela tangente. Ou será que ele disse pela porta dos fundos? Não me lembro. Só me lembro da nota final, -2.
Mas afinal, o que é uma nota, disse ele achando que me confortava. E eu pensando baixinho, que é pra ele não ouvir: se não vale, por que deu? Tá, de fato eu havia atrasado um dia na entrega, mas não foi culpa minha, eu tava mal, doente, o papagaio morreu, alguma coisa séria, muito séria aconteceu pra eu não ir na aula entregar um texto que eu tinha feito com antecedência (não tanta, por que afinal, perde a graça de entregar trabalhos em cima da hora), mas que estava até orgulhosa. Resultado final, -2.
E o pior de tudo isso, é que o texto realmente está legal. Pode ser que até entre na edição da próxima revista, e para isso eu ainda terei que reescrevê-lo e arrumá-lo, olhar para ele com orgulho, mas sem nunca esquecer aquela nota negativa, rondando sempre e sendo um fantasma na hora de fazer as contas pra saber se vai dar pra passar ou não. Imagina uma DP no penúltimo semestre? Acho que eu morro, e levo meu pai junto. Ou melhor, ele me mata e depois morre comigo!
Mas embora o texto tenha tido essa nota ridícula, ela será descartada. Porém, não contava com essa. Já tinha uma nota negativa (por bobeira por sinal), que estava quase caindo fora. Mas agora não, agora quem cai fora é o maldito -2 que o professor encanou de me dar. E nem aquele papinho mole de que ele podia dar -1 que ninguém ia ficar sabendo colou. Não, ele gostou mesmo do -2 e esse que ficou. E vai ficar pra sempre, por que menos dois é eterno. Não existe nada na face da terra que eu possa fazer que retire aquela nota da minha carreira universitária.
Estou quase conformada, mas não sem antes mostrar para o professor o que ele causou. E esse texto é pra ele, um presente de uma aluna que não é uma das melhores escritoras da sala, mas que também não ia tirar um -2 a toa. Quem sabe ele goste desse e dê uma notinha melhor pra ele. Que tal essa idéia hein?
mais uma crônica do que vem sendo os meus dias...
estudos, trabalho, trabalho e estudos..
e o pior é que tudo fica no mesmo terreno, no mesmo lugar
me sinto presa, preciso viajar
mas massaoterapia faz um bem danado nesses dias viu?
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Algumas histórias...
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- Felipe, você vai cobrir o evento hoje. E leva a Carol junto, porque o cara só fala inglês
- Beleza
... 5 minutos depois
- Mudança de planos... deixa eu ver seu tênis... é, a Carol vai cobrir e você vai junto.
sem entender nada entro em pânico
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corrida, briga, bate-boca, microfone, fita, luz, ação, TP, passa o som, gravando!
... 30 minutos depois, mais um filho que nasce
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reunião sem marcar só tem um final: chá de cadeira. Em uma hora esperando, muitas passagens sensacionais, mas a mais incrível...
- Minha senhora, eu não posso fazer nada se o seu filho está com 55% de faltas. Ele já ficou de DP nessa matéria, não tem nada que eu possa fazer.
(silêncio, ouvindo a resposta)
- Desculpe, mas essa Universidade não é nenhum parquinho!
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professores à beira de um ataque de nervos:
- acho que hoje não vai dar pra editar a revista. Estou com congestão cerebral!
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do professor de rádio, relatado por aquele com congestão cerebral:
- já parou pra pensar, que as pessoas gastam uma grana violenta para colocar flores no caixão de alguém que morreu, mas não gastam um centavo para mandar flores para uma pessoa que está viva?
Onde eu entro nessa bagunça? Boa pergunta!
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Frases sem nenhuma cor
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quase
quase bateu o ônibus que me levava
um homem passou por mim e do outro lado a parede... quase
do trabalho
um choque, uma porta e um microfone... acidente de trabalho?
um e-mail na sexta-feira à noite do chefe dando bronca
escola
ou seria trabalho?
faz de conta: ser jornalista
brincando de quebra-cabeça
vida
intensidade nas coisas...
só movendo uma de cada vez
sentimentos
amigas
deu pra entender?
queria ter escrito mil textos.
pensei em vários no caminho até em casa.
nenhum deles ficou bom
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Café, chá, sanduíche. Açúcar ou adoçante?
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Era uma tarde normal de inverno. Por ser essa a estação do ano, muitos procuravam aquela lanchonete bem localizada no campus da Universidade. Nada de anormal aparecia nos pedidos dos clientes, sempre procurando algo para beber, comer ou matar a gula.
Porém, um pedido chamou a atenção do atendente. Um rapaz e uma moça, estudantes comuns, daqueles que passam por ali todos os dias, porém estes munidos com uma “arma” poderosa.
- Podemos tirar uma foto?
- Como assim foto? Você não vai querer café, pão de queijo, nada desse tipo?
- Não. Só queremos tirar uma foto.
- Mas eu não estou arrumado, nem preparado para isso. Pra que é essa foto? Olha que o patrão não vai gostar.
- É pra um trabalho da Faculdade. Temos que mostrar retratos do cotidiano das pessoas. Pessoas normais. Por isso pensamos em retratar o seu trabalho.
- Mas eu tenho que continuar aqui. Não posso parar.
-Não tem problema. Pode fazer o que você estava fazendo que nós só vamos tirar a foto e já vamos embora.
O atendente voltou a trabalhar ainda ressabiado com a presença dos alunos e principalmente pensando na bronca que poderia levar do patrão.
Para os estudantes, aquela foi mais do que uma foto. Foi um retrato, foi mais do que um simples instante, foi um aprendizado, uma maneira de olhar o mundo através de uma lente e mostrar para outras pessoas que simples coisas também são importantes.
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